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2024

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2023

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2018

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2017

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2015

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2014

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2013

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2011

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composer avec le passé

2024
desenho
(lápis grafite sobre papel)
29,6 x 43cm

Composer avec le passé (“Fazer as pazes com o passado”) é o título da matéria publicada no jornal genebrino “Le Courrier”, em janeiro de 2019, em que Mohamed Musadak narra o debate público gerado em razão da renomeação do “Espace Louis-Agassiz”, rua onde se localiza a Faculdade de Artes e Ciências Humanas da Universidade de Neuchâtel, por “Espace Tilo Frey”. O acontecido se justifica por uma reparação em curso e de âmbito internacional que reavalia honrarias dadas a personalidades históricas. Neste caso, o suíço-estadunidense Louis Agassiz, sob a alcunha de glaciologista racista, é deposto pela camaronesa-suíça Tilo Frey, primeira mulher de descendência africana a ser eleita no Parlamento Cantonal, em 1969, e dentre as primeiras mulheres eleitas para o Parlamento Federal, em Berna, entre 1971 e 1975.

A imagem da notícia de jornal que se vê desenhada parte de uma fotografia que me foi enviada por Richard Le Quellec, atual diretor da Embassy of Foreign Artists (Lancy, Suíça), como gesto cuidadoso em me inteirar, por e-mail, sobre eventos atuais referentes ao cientista Louis Agassiz (1807-1873). Entre abril e junho de 2016 fui residente na EoFA para pesquisar o pensamento controverso do naturalista suíço ao liderar a Expedição Thayer no Brasil entre 1865 e 1866. Os trabalhos resultantes desta pesquisa podem ser consultados no ensaio visual Mon cher, je suis fatigué, et j’ai besoin de repos; je vais flâner au Brésil!, exposto no Palácio das Artes, em Belo Horizonte (2018). Feito nota de livro, Composer avec le passé atualiza o conjunto de trabalhos e faz par ao desenho Words Spoken. Ambos ressignificam fatos históricos documentais a partir de nosso contexto presente.

É muito comum me indagarem sobre a veracidade destes desenhos, deduzindo se tratarem de invenções e desacreditando de sua natureza documental – diga-se de passagem, um papel que, a partir de meados do século XIX, passou a competir à fotografia. A lisura destes desenhos, cujas sucessivas camadas de grafite apagam qualquer rastro da mão, pode ser que queira simular uma realidade que não existe; digo, pode parecer querer convencer de um fato inventado. A princípio, só assim se justificaria a escolha de apresentar tais imagens pelo desenho e não pela fotografia. Não é este o caso. Desenhos tão “fotográficos”, penso, propõem lançar dúvida sobre a veracidade dos próprios fatos reais, expondo ser o que se vê uma realidade em disputa, hoje em dia, cada vez mais assombrada pela ficção.

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[come to terms with the past]

2024
drawing
(graphite on paper)
29,6 x 43cm

Composer avec le passé is the title of a newspaper article published in Le Courrier (Geneva, CH) in January 2019, in which the journalist Mohamed Musadak discusses the public debate sparked after the Neuchâtel municipality renamed “Espace Louis-Agassiz”, the street where the University of Neuchâtel’s Faculty of Arts and Human Sciences is located, to “Espace Tilo Frey”.

This event adds to the countless cases that have been occurred around the world to promote historical reparations by reassesses honors given to historical figures. In this case, the Swiss-american Louis Agassiz, know as a racist glaciologist, is replaced by Tilo Frey, a Swiss-Cameroonian woman who was the first person of African descent to be elected to the Cantonal Parliament (1969), and one of the first women elected to the Federal Parliament in Bern, between 1971 and 1975.

The newspaper’s image that we see drawn here was made from a digital photograph sent to me by Richard Le Quellec, current director of the Embassy of Foreign Artists (Lancy, CH). It was a thoughtful gesture of him to keep me informed, via email, about recent events regarding scientist Louis Agassiz (1807-1873). Between April and June 2016, I was resident at that institution running a research on the controversial thinking of the Swiss naturalist while leading the Thayer Expedition to Brazil between 1865 and 1866. The results of this research can be found in the visual essay Mon cher, je suis fatigué, et j’ai besoin de repos; je vais flâner au Brésil! exhibited at the Palácio das Artes in Belo Horizonte, Brazil (2018). In the form of a book note, Composer avec le passé updates this body of work and pairs with the drawing Words Spoken. Both propose to bring new meanings to historical documentary facts departing from our present context.

People very often inquiry me on these drawings’ veracity, assuming they are inventions and doubting their documentary nature – which, by the way, is a role that, since the mid-19th century, began to be taken on by photography. The smoothness (lisura) of these drawings, with their successive layers of graphite erasing any trace of the hand, might indeed seem to simulate a reality that doesn’t exist; I mean, it could appear as if they are trying to convince one of an invented fact. At first, this would possibly be the only justification for presenting such images through drawing rather than photography. However, this is not the case. Drawings that are so “photographic,” I think, aim to cast doubt on the truth of the very real facts, exposing that what is seen nowadays, regardless of its media, is a reality in dispute, increasingly haunted by fiction.